Agile e Lean e a Empresa àgil
Para chegar a conclusão mais certeira possível sobre uma empresa inserida em uma economia ágil, vamos entender um pouco do nascimento dessas duas abordagens.
'Agile manufacturing' teve a sua origem nos Estados Unidos e resultou de um estudo efetuado por uma equipe de investigação envolvendo dados sobre a competitividade das empresas americanas num mercado global.
Essa pesquisa concluiu que a melhoria do desempenho dos sistemas de produção em série não traria competitividade para as empresas a operarem num mercado global. Para isso acontecer, seria necessário adaptar e estimular novas formas de trabalho, nomeadamente através de “empresas ágeis”.
Segundo o mesmo relatório, a “agilidade” requer a integração de vários fatores:
- tecnologias flexíveis de produção;
- uma força de trabalho competente;
- conhecimento;
- estruturas organizacionais de gestão que promovam e estimulem iniciativas cooperativas entre as empresas.
- capacidade para desenvolver relações estratégicas entre clientes e fornecedores.
Ser “ágil” significa literalmente mover-se com facilidade. Aplicado a uma organização produtiva, ser ágil é responder rapidamente aos requisitos de um mercado em constante mudança. A empresa, para ser ágil num contexto global, tem de ter a capacidade de introduzir rapidamente no mercado produtos inovadores; e igualmente de ser capaz de dar uma resposta rápida ao mercado e aos clientes, quanto a novos produtos; além disso, deve operar com um sistema produtivo reconfigurável e continuamente em mudança para se adaptar à própria dinâmica do mercado.
A “empresa ágil”, como novo paradigma organizacional, baseia-se em três características fundamentais:
- a dinâmica de mudança,
- a resposta rápida
- a noção de qualidade total
Uma empresa ágil encontra-se necessariamente em constante mudança, nunca atingindo um estado estável, e adaptando-se constantemente a um conjunto de circunstâncias imprevisíveis.
A capacidade para responder rapidamente apenas pode ser conseguida através de processos de cooperação internos e externos à própria empresa. A cooperação pressupõe um elevado grau de confiança entre parceiros, e uma partilha igualmente segura do conhecimento e da informação.
A qualidade não pode ser unicamente uma característica do “produto” em si, deve antes ser estendida a todo o relacionamento existente entre o cliente e o fornecedor.
O conceito de “produção magra” (lean production), desenvolvido a partir de então, foi inspirado no modelo de produção desenvolvido pela Toyota. A evolução/extensão do conceito de “produção magra” para “empresa magra” defende a eliminação de desperdícios a todo o nível e em toda a cadeia de valor.
Os conceitos de “ágil” e de lean, tem formulações diferentes:
Agilidade pressupõe usar o conhecimento do mercado e recorrer a organizações virtuais para explorar as oportunidades de negócio em mercados voláteis.
Lean pressupõe o desenvolvimento de um sistema de valor fluido eliminando o desperdício, incluindo o tempo, e assegurando um nível estável de execução.
Basicamente, a agilidade enfatiza a ideia de adequação a mercados voláteis e instáveis, isto é, a mercados em constante mudança. Por seu lado, o conceito de lean enfatiza a ideia de estabilidade e previsibilidade. Apesar de apresentarem conceitos distintos, os conceitos se integram na aplicação de cadeias logísticas complexas.





